Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

esse blog acabou

Mais um blog vai pro cemitério dos blogs: o meu. Encerro as atividades dele por aqui, depois de seis meses. E acho que durou bastante tempo até. Não tenho nenhum motivo do tipo "não tenho tempo/saco/criatividade/assuntos/ou outra coisa qualquer" para eu encerrá-lo. Apenas acabou. Não tenho muito o que escrever, nem vou me despedir, afinal, as pessoas que lêem isso também me encontram por aí na rua, heheh. Como sou interneteira e curiosa, continuarei entrando nos blogs de vocês e dando pitaco, certo? Grande abraço.

Nathalia.
(porque eu acho que todo super-herói deve revelar sua identidade secreta no final).




ps: é, eu tentei pensar em uma frase final de impacto, mas, veja bem, eu não sou publicitária, sou cientista social. E deu nisso.


Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

beatles e o cotidiano

Meu post ia se chamar Beatles e a Filosofia. Daí eu vi que existe um livro com esse nome. Deve ser tipo esses livros que tem por aí, como Harry Potter e a Filosofia, Os Simpsons e a Filosofia, Dercy Gonçalves e a Filosofia, essas coisas. Mas eu nem ia escrever sobre filosofia mesmo. É que eu queria fazer uma pressãozinha nos garotos desse blog que estão prometendo um especial Beatles no blog deles e nada ainda. Aí eu pensei em escrever sobre o que eu escrevo sempre, ou seja, minha vida e a vida ao meu redor.

Às vezes uma música que a gente já conhecia, mas não dava muita importância, passa a fazer parte da nossa vida quando se une letra+ melodia+ situação vigente. Por situação vigente entenda-se o que se está vivenciando no momento. E por muito tempo eu não havia percebido o quanto é linda a letra de Help! e como a melodia é incoerente com a letra. Como alguém consegue falar sobre insegurança e vulnerabilidade com um sorriso na cara? Com Help! isso acontece com tanta espontaneidade que deve ser por isso que essa música se tornou importante pra mim.

(…)
When I was younger so much younger than today
I never needed anybody’s help in any way
and now these days are gone, I’m not so self-assured
Now I find I’ve changed my mind I´ve opened up the doors
(…)
And now my life has changed in oh, so many ways

My independence seems to vanish in the haze
But every now and then I feel so insecure
I know that I just need you like I never done before

Não é lindo? É o que eu chamo de melancolia feliz. A pessoa que canta está super se expondo e, ao mesmo tempo que é uma súplica, parece não ser. Eu não sei a história dela, mas é assim que eu a interpreto. Ah, e o que essa música tem a ver com a minha vida? A letra fala por si mesma. Não sei se o John Lennon e o Paul escreveram Help! pensando em alguma garota, mas eu não acho que seja uma música romântica. Pode ser também para um amigo, pra mãe, sei lá. Tem um cover de Help! do Noel Gallagher do Oasis que ficou bonito, mas ele ficou coerente com a letra, hehe, ou seja, é meio pra baixo. Ainda prefiro a original. Uma incoerência que deu certo.

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Depois dessa acho que ninguém mais vai me emprestar chave nenhuma.

minha estadia na casa alheia acaba hoje

Quem conversou comigo esses dias sabe que eu estava hospedada na kit do meu best amigo, que é super bem equipada, com todas os aparatos tecnológicos que eu não tenho no meu apartamento...heheh. Na verdade, ele foi pra capital e meu deixou as chaves. Fiquei aqui, pra regar a plantinha dele, sabe. E e estudar e postar e ficar no msn e alugar um monte de DVD! Eba!
Mas hoje ele chega e eu tô feliz, porque eu tava com saudade!! Mas vou aproveitar as últimas horas até ele chegar...
E nada melhor que acordar numa cama de casal, com um edredon preto (diferente, né?) fofíssimo, e estar de bom-humor, mesmo com a Ana Maria na TV, bom dia Ana Maria! acooorda meniiiina parece divertido, olhar pela janela e ver que o céu tá azulzíssimo, que o cara ao lado tá construindo alguma coisa, mas o barulho pouco importa, bom dia moço!, que há bolo de chocolate pra se comer no café da manhã e suco de uva para beber, ver que há Rolling Stone no computador, colocar (I Can´t Get No) Satisfaction pra tocar bem alto (ops, mas os vizinhos já saíram pra trabalhar! hehe) e dançar e cantar só de sutiã e calcinha na frente do espelho (ahh, faltaram uns óculos escuros!), mesmo com o cabelo ridículo, mesmo com celulite, quem se importa com uns furinhos.
E perceber que felicidade é um lance barato pra caramba.

Domingo, 25 de Maio de 2008

gal costa faceira

Ê, madrugada de sábado! As pessoas saem, vão ver gente, vão tomar umas e outras e eu aqui nessa coisa do capeta chamada internet... Porém, há mais de meia hora, eu estou me auto-divertindo por aqui. Não, não é isso que alguém mais libidinoso possa estar pensando. Eu tô dando um repeat aqui na Gal Costa cantando Folhetim do Chico Buarque. E tô imaginando altos clipes pra essa música, cara. A letra é muito boa:
Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim

Fiquei imaginando a Gal chegando na night toda faceira, batonzão vermelho e cabelo ao natural, óbvio. Aí ela senta na mesa do boteco e chega um cara cortejando ela (um cara de bigode, não sei por que, mas tem que ser com bigode, só bigode, sem barba). A Gal fica toda-toda e ele oferece um Sonho de Valsa pra ela. E aí eles vão pra casa dela e já estão meio de pileque, ele todo fascinado pela Gal e ela empurra ele na cama e só deixa a luz do abajour acesa. Então ela começa a desabotoar a camisa dele e ele não é lá aquelas coisas, mas ela olha pra ele como se ele fosse o último homem do mundo (ui!). E ele fica extasiado e beija ela loucamente. Aí corta pra manhã seguinte, aparece o cara tentando abraçar a Gal na hora em que ele acorda, mas ela vira os olhinhos de tédio, levanta e faz um "xô!xô!" tocando ele da cama. E ele fica todo desconcertado, recolhe as roupas e sai rapidinho. Então, ela acende um cigarro, olha pela janela e vê ele atravessando a rua, ainda quase sem roupa e olhando pra trás com uma carinha de quem não entendeu nada, e então ela abre um sorriso de Gal Costa faceira...
Fim.
(tá, agora posso ir dormir, afinal, me deleitei na night de sábado através da Gal, yeah!).

Videozinho da Gal cantando essa música (e dando uma dançadinha estilosa no começo) pode ser encontrado aqui.

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

pelo direito de ficar triste

Meu, tem dias que servem só pra gente acordar, abrir os olhos e perceber que sim, a gente tá vivo. Então, a gente deve fingir que não acordou, fechar os olhos e voltar a dormir de novo e o máximo possível, até acordar só no outro dia que, quem sabe, merecerá que a gente levante da cama de verdade.
Ficou confuso, né?
O que eu tô tentando explicar é que tem dias que merecem não serem vividos. Ou merecem? Como ontem, quando eu amanheci triste, muito triste. E os motivos eram tão desmerecedores da minha tristeza. E eu pensava "ah querida, que bobagem, vai estudar pra se distrair". Aí eu me senti mais deprimida ainda em ficar sozinha no meu quarto com um xerox feio na minha frente. E pensei "olha que fim de tarde bonito, vai sair pagar aquela conta no banco e depois passar no supermercado, vai lá". Daí eu saí me arrastando, e a gente não deve sair se arrastando. Nada pior do que sentir vontade de chorar no meio da rua. E era um fim de tarde bonito, eu deveria me alegrar. Mas fiquei mais deprimida ainda por nao conseguir me sentir feliz caminhando num fim de tarde bonito. E aí começou a tocar O mundo é um moinho no meu mp3 e deu um nó na minha garganta e eu pensei "deveria só selecionar músicas alegres, droga". E eu tentei me distrair e pensar em coisas legais, como bolo de chocolate, mas eu queria chorar,chorar, chorar e me senti culpada por isso, e pensava "você tá cultivando a tristeza. você tá cultivando a tristeza...." E agora me diz, como alguém pode ser feliz quando não pára de repreender a si mesmo por estar triste?

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

sobre a I Conferência GLBTT de Sanca

Foi com muita satisfação que eu participei, no último sábado, da I Conferência GLBTT Municipal aqui em Sanca (nossa, ficou parecendo início de discurso, né? rs). O evento foi muito bem organizado pelo movimento GLBTT da cidade e durou apenas uma tarde (e início da noite), mas teve assunto para ser debatido por vários dias. A mesa de abertura contou com a presença do prefeito Newton Lima e do nosso reitor, o Barba. Fora aquela coisa de politicagem, que todo mundo conhece e, enfim, que não deixa de ser necessária para a imagem de quem quer se eleger a algum cargo político (ou indicar alguém para ser eleito), a fala dos dois foi muito positiva. Fiquei feliz em ver que o atual prefeito e o "futuro" candidato (o Barba, é o que dizem) possuem uma visão totalmente a favor ao combate da homofobia.
Os expositores convidados foram ótimos e os debates foram muito enriquecedores. Nossa, parece puxa-saquismo da minha parte, mas é que eu realmente achei que foi um evento de ALTO NÍVEL. Já fui em muitos congressos em que os debates eram bem superficiais... Aliás, por falar nisso (congresso, universidade...), queria ressaltar o fato dessa Conferência ter reunido universitários, pessoas do poder público e o pessoal da cidade. Foi muito bom ver esse diálogo ocorrendo entre pessoas vindas dos mais diversos lugares. Pra quem está dentro da universidade, certas discussões são vistas como corriqueiras, algo que é conversado todos os dias, não só dentro da sala de aula, como nos corredores. Mas ver o debate fluindo pra além dos muros d'A bolha (como a gente chama carinhosamente a facul, às vezes) é LINDO.
Olha, fiquei bem otimista. Durante a Conferência, foi encaminhada uma proposta de se instituir um dia municipal do combate a homofobia aqui em Sanca e também a criação de uma semana anual da diversidade. Espero que seja aprovado! Acho que o movimento na cidade só tem a crescer e a se fortalecer, pois disposição é o que não falta. Além disso, ele conta com pessoas que, como disse um dos expositores, são um verdadeiro "achado", como a Larissa Pelúcio, que estava lindíssima e teve uma fala emocionante (depois vou pedir o texto pra ela). E, pra terminar, já que eu comecei esse post de modo tão solene e com cara discurso, rs, vou citar Bourdieu (chiquééérrima):
"O melhor dos movimentos políticos está fadado a fazer uma má ciência e, em última instância uma má política, se não conseguir transformar suas disposições subversivas em inspiração crítica".

É isso aí, Comunidade e Universidade trabalhando juntas!